Monday, 4 July 2011

Não vou dizer

Não vou dizer que esse teu sorriso não me fulmina o olhar.
Não vou dizer que o cheiro do teu cabelo não me dá arrepios na pele.
Não vou dizer que o brilho dos teus olhos me ilumina o dia, por vezes, tão cinzento.
Não vou dizer que o leve toque da tua mão na minha não aquece nos dias mais frios.
E que o teu jeito de me afagar os cabelos nos dias de Inverno e o soar do meu nome na tua voz não me deixa sem forças para continuar.

Não sei se é o teu ar um pouco ausente. Esse teu jeito, às vezes, meio indiferente.
Só vou dizer que és tu... És só mesmo tu que me deixas assim.
Sem jeito ou expressão...
Sem mágoas tão duras dentro do coração...

Setinha @ momento de leve inspiração




Tuesday, 21 September 2010

Cá estou eu, já cheguei...

A história que vos quero contar não pode ser lida num livro. Dizem que a história do Oeste foi escrita na cela de um cavalo, mas nunca foi contada pelo coração de um... Até agora. Eu nasci aqui, neste sítio a que virião a chamar o Velho Oeste. Mas para a minha espécie, a Terra não tem idade. Não tem principio nem fim, nem há fronteiras entre o Céu e a Terra. Tal como o vento nos pastos dos búfalos, este era o nosso lugar e haveria sempre de o ser. Dizem que o Mustang é o Espírito do Oeste. Se o Oeste ficou a ganhar ou a perder, serão vocês a decidir. Mas a história que eu vos quero contar é verdadeira. Eu estava lá. E lembro-me... Lembro-me do sol e do céu e do vento a chamar o meu nome no tempo em que os cavalos selvagens corriam em liberdade...


Cá estou eu, já cheguei...
Tão livre e confiante comecei...
Cá estou eu, pertenço aqui...
À força da Terra onde nasci...
Novo dia, novo mundo
Coração a pulsar com ritmo louco
Novo dia que será meu
Com a vida á frente...


Setinha @ Feeling Free

Tuesday, 15 June 2010

Á barca, á barca... Deixai passar a tempestade que a bonança se avizinha...

De volta ás origens... Aonde pertenço. Após uma jornada de ausências desmedidas e sem sentido estou de volta com o meu pensamento, agora menos atordoado e demente. "Foram dias e dias, e anos e meses perdida no mar..." Agora, finalmente o meu barco chegou a bom porto.
Sei que ainda não fazem sentido as minhas palavras. Que ainda vêm numa torrente de pensamento fluido e sem significado. Mas, o que outrora fora uma mente quebrada e infeliz, agora renasceu mais forte, unida e brilhante do que nunca.
E com ela a força de um amor mais forte que as forças que ligam os fragmentos de Terra onde poisamos todos os dias... A força de uma amizade, de um companheirismo extremo, do reinventar de uma realidade algures esquecida.
Os tempos foram negros... De uma escuridão imensa e feroz... Mas agora o sol voltou e com ele as boas vibrações que se julgavam enterradas para sempre naquele buraco sombrio e profundo que noutras eras cavei com minhas próprias mãos.
Nada temam, marujos. Chegamos a Terra... Vamos viver de novo e (tentar) ser felizes de uma vez por todas nesta nova terra próspera e cheia de riquezas e vida á espera de ser vivida...

Setinha @ Volta ao Mundo

Sunday, 3 January 2010

Podia ser mas não é...

Podia ser uma daquelas frases que encontras quando abres um pacote de café, naquela tarde de sol em que sais para beber um café com alguém especial e que depois guardas na tua carteira. Podia ser, mas não é. Podia vir nos pacotes de café mas não vem. É pena. É algo do tipo "Um dia, talvez volte a confiar em ti..."
Talvez um dia, daqui a muito tempo, eu volte a conseguir olhar para ti como aquele amigo que eu sempre julguei que eras mas que,afinal, nunca foste. Tentei provar a este mundo e ao outro que estavam todos enganados. Que tu não eras aquilo que todos diziam que eras. Uma pessoa sem carácter, sem valores. Tentei prová-lo c0m todas as forças que tinha e até com aquelas que não tinha e que fui desencantar sabe-se lá em que buraco. Hoje, por fim, rendo-me ás evidências e baixo a guarda e digo "Não posso mais." Não posso mais suportar a falta de tudo. De confiança, de te conhecer e de saber quem és exactamente. Não consigo olhar para ti, conversar contigo sem sentir que não te conheço, que não passas de um estranho que tenta a todo o custo fazer-se passar por meu amigo, e que eu não sei quem é.
Por isso, é melhor cada um seguir o seu caminho, e talvez um dia, nos voltemos a encontrar. Agora vou agarrar-me àquilo que tenho de mais precisoso: os meus amigos. Aqueles que ficaram, mesmo depois de tudo. Que estiveram sempre cá mesmo quando não sabiam o que se passava, nem como podiam ajudar. Mas ajudaram sempre, mesmo sem saber como. Deram-me um abraço quando mais precisei, riram comigo quando eu mais precisei de rir. Afagaram-me os cabelos quando eu olhava para o vazio a pensar no que tinha eu feito de errado e disseram "Gosto muito de ti, sabes?!". Foram esses pequenos gestos que fizeram toda a diferença. Agora só nos resta seguir em frente e esperar por "um dia, talvez..."

Wednesday, 30 December 2009

"Não sei se é sonho, se realidade"

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul de olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada de desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, á luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

Setinha @ Às voltas na cama para adormecer - "Não sei se é sonho, se realidade" - F.P.

Monday, 14 December 2009

Quem és tu?

Quem és tu afinal?
Cujo olhar me confunde e atrofia
Cujas palavras me deixam sem jeito
E com um ronronar no peito
Quando, a cada dia.
Me fazes sentir especial.

Como entraste tu na minha vida?
Tornando-a mais colorida,
Como se pintasses em mim um quadro
Com a tua personalidade de um doce de chocolate amargo...

Setinha @ Sintonia com J.I.

Sunday, 13 December 2009

Fora por aquilo que hoje sou...

Não mais olharei para trás.
Jamais estagnarei no tempo,
esperando por uma só palavra.

Na minha cadeira, com o meu bloco e a minha caneta de tinta permanente, segura na mão bem firme, olhei para as paredes que me envolviam. Na mente flutuam, viajam, todos os desejos e quereres de uma vida que,outrora julguei colorida, mas que agora vejo que nunca teve outra cor senão cinza.
Já não sei mais que viver. Já não sinto que precise de o fazer. Vou manter-me aqui, sentada na minha cadeira, observando da janela do meu quarto o passar do tempo. Não vou fazé-lo parar. Vou apenas fazer com que passe por mim. Vou ficar aqui sentada a observar o girar do mundo, a mudança da lua e das marés. Ver o desabruchar das flores novas na Primavera e a migração das andorinhas no Outono.
Ver a neve cair no Inverno e as amendoeiras a florir quando o tempo delas chegar.
Passaram anos. As marcas do tempo já começam a fazer-se notar. Já não sou mais uma criança. A "criança" que decidiu deixar-se ficar e ver o mundo passar por si, sem nada fazer. Passei anos aqui sentada, a olhar pela janela. Hoje, muitos anos depois, olho com olhos de quem quer ver o que o tempo fez a sua visão, e não vejo nada que me deixe feliz...
Deixei de contar o tempo. Mas sei que passou depressa de mais. Aqui de novo estou. Agora uma velha sem nada para contar. Sinto-me triste. As visões que me envolvem são de uma realidade tão amargurada e penosa que nem consigo distinguir o que realmente vejo daquilo que queria ver. O mundo tornou-se um lugar hóstil, sangrento, sem escrúpulos, onde a maldade, a vingança e o desejo de aniquilação do próximo imperam, sentados num trono construido sobre a subjugação dos mais fracos.
Ao caminhar pela rua, vejo a desgraça que o tempo causou. Morte, doença, fome. Ningúem me vê. Será que não estarei morta também?! Não sei. Só sei que este não era o Mundo que eu conheci, anos antes de me decidir.
O que poderia eu ter feito para prevenir todo este cenário de mágoa, dor e tristeza? Será que deixar o tempo passar terá sido a melhor solução? Será que não me encostar à ombreira da porta ou não ficar sentada na minha cadeira de baloiço durante tanto tempo poderia ter feito a diferença?
Claro que podia. Claro que a minha ajuda, por pequena que fosse, podera ter evitado este cataclismo que meus olhos vêem e que meu coração chora.
Nem sempre a passividade é a solução. No entanto, e por uma vez na vida, tenho a oportunidade de voltar a trás.
Meto a mão ao bolso do casaco, à procura do meu relõgio de bolso antigo. Abro-o e rodo-o 3 vezes.
TIC TIC TIC...
De volta ao presente. Ao momento em que decidi entregar-me à adversidade, sentando-me na minha cadeira, esperando pelo passar do tempo. Paro e penso. Não. Vou ser mais forte, vou vencer e vou fazer a diferença. POR UM MUNDO MELHOR...
Setinha @ "Por um mundo melhor - Vera Branco"

Thursday, 26 November 2009

O dia em que ela se foi...

Desço as escadas em direcção à porta. Perguntas sem resposta aparente ecoam. Ecoam cada vez mais alto na minha cabeça. Estou confuso. Não consigo entender o porquê da tua partida. Corro, corro. Levo a tua carta na mão e enquanto corro, os pensamentos aceleram-se e mais perguntas surgem. Parei junto ao nosso lugar para ler e reler de novo a mensagem que hoje me deixaste sem mais nenhuma justificação. Sinto a tua falta.

"L.
Costumavamos passar os Verões sentados à beira do lago a atirar pedras, a apanhar rãs e a sentir o sol nas faces. Tempos d'ouro esses. Será que ainda te lembras? Será que sentes saudades desses dias dourados em que nos olhavamos lá bem no fundo do nosso ser e nos riamos sem parar de palermices sem importância? Será que sentes?
Não sei. Hoje, estou aqui, a escrever esta carta para te dizer que sinto falta. Sinto muita. Embora esse pensamento permaneça eterno na mente de quem ainda te ama, digo-te agora com os olhos marejados em lágrimas que já não quero sentir que sou um peso na tua vida. Não quero sentir que fico com as migalhas que sobram daquilo que, com tanto amor, dedicação e amizade, dás aos outros.
Hoje, aqui, junto ao lago que nos viu crescer, amadurecer e seguir em frente, sento-me com a minha caneta e esta folha de papel branca e escrevo-te, em jeito de dizer adeus. Não será um adeus eterno. Apenas um "Até Já, L. ". Desta vez, tenho que partir, crescer e ser feliz. Voltar a sentir que não sou só apenas a miragem da porta ao lado ou aquela com quem brincavas em pequeno.
Prometemos que a nossa amizade seria eterna. Juro-te que vou respeitar essa promessa, mas agora chegou aquela hora que sempre tememos. A de me despedir. Vou apanhar a primeira brisa do temp e seguir com ela até onde me levar e lá, plantarei de novo a semente e esperarei que ela germine, cresça e se torne forte. E, no dia em que voltar, trazida de novo, pelo calor de ti, vou olhar novamente pela janela do meu quarto e ver-te sentado no baloiço do teu quintal e perceber que nada mudou. Que apenas nos perdemos nos labirintos do tempo e, agora que voltei ao lugar que sempre me pertenceu e que sempre me tomou como dele, tudo está no devido lugar.
Sei que ao leres esta carta, pensarás o que terás feito para, de repente, te veres sem mim. Verás que nada fizeste. E se um dia me perguntares o que me levou para longe de ti direi que foram os fios da teia do destino que nos separaram. Agora, sei onde estás.
Sei que estás onde queria que estivesses a ler este breve adeus. Sentado, na pedra marcada pelas nossas aventuras junto da laranjeira onde nossos nomes gravaste como sinal de amizade eterna. Vou voltar em breve. Espera por mim. Cresce, voa, sê livre. Até um dia. Com muito amor.

J.P."
Setinha @ O dia em que ela partiu

Thursday, 29 October 2009

Uma vida, uma viagem

A vida é uma viagem de comboio. Com paragens, estações principais e pequenos apeadeiros.
Pessoas que saem, que entram, que ficam, que nos deixam bagagem, malas, malinhas e malões de uma história que é nossa e que ficará para sempre connosco. Nem sempre nos apercebemos disso, mas é esta bagagem deixada por aqueles que saem e entram que nos leva ao céu e tocar nas estrelas. Que nos leva até ao mais profundo dos buracos, até junto ao ponto onde o que é sólido vira fluido, e onde as lágrimas correm de par em par e não cessam. E a viagem prossegue. Prossegue e eis que pára o comboio num pequeno apeadeiro. Um sem importância hoje. E amanha? Será assim tão indiferente o passageiro que nele entrou? Às vezes, o mais insignificante dos indíviduos revela-se o mais valoroso, o mais sensato e mais honesto de todos. Aquele que apenas trás na mala a sua sabedoria e que nos arranca sem mais nem menos de um desespero profundo que é a nossa própria solidão. Muitos deles entram na estação principal, são estrelas que brilham em todo o seu esplendor. Será que no fim da linha ficam? Ou prosseguem a minha viagem? Outros são como o passageiro do pequeno apeadeiro.
Aquele passageiro que, no começo, parecia um vulto. Um ser sem alma ou pequena luz ao qual ninguém dava atenção. Mas eis que se revela. Revela-se e mostra o seu valor.
Esta lição foi-me ensinada por um passageiro que viaja deste sempre neste comboio. Alguém que ficará eternamente dentro dele. Alguém que faz parte dele e que nunca pode ser esquecido.
Aquele cuja bagagem me fez, sempre, ver tudo com mais clareza. Aquele que nunca me escondeu nada, nem mesmo a mais cruel das dores e muito menos a mais bela das alegrias. Aquele que, se pudesse, sentia todas as minhas mágoas como se suas fossem.
Por tudo o que já fizeste por mim, por tudo aquilo que sei que farias se pudesses, por tudo o que irás fazer sempre.
A ti, meu passageiro de sempre...
Setinha @ Turning another page

Wednesday, 23 September 2009

A porta dourada

Alexandre foi a Lazarevo um tanto às cegas.
Não tinha mais nada. Literalmente mais nada: nem uma carta nem um bilhete de Dasha ou de Tatiana, comunicando-lhe que haviam chegado a Molotov. Tinha muitas dúvidas quanto a Dasha, mas como vira Slavin sobreviver ao Inverno, tudo era possível. O que o preocupava era a ausência de cartas de Dasha que, quando estava em Leninegrado, passava a vida a escrever-lhe. Agora, Janeiro e Fevereiro tinham passado e não sabia de nada.
Teve de conduzir um camião até Kobona uma semana depois de elas haverem partido. (...)
Lazarevo ficava a dez quilómetros, no meio de densos pinhais.
A floresta não tinha só pinheiros; ulmeiros, carvalhos, bétulas, urtigas e mirtilos acariciavam-lhe os sentidos enquanto caminhava com a mochila, a espingarda, a pistola e as munições, a tenda e o cobertor, o capacete e um saco cheio de comida de Kobona. Distinguia através das árvores a corrente do rio Kama. Ainda pensou em lavar-se, mas chegara a um ponto em que precisava de continuar a avançar.
Enquanto caminhava, ia apanhando mirtilos dos arbustos baixos. Tinha fome. Estava muito calor e havia muito sol. De repente, foi invadido pela esperança. Estugou o passo. (...)
Uma sebe e um lilaseiro largo obstruíam-lhe a vista. As flores roçavam-lhe a cara e o nariz. Inspirando o seu perfume intenso, espreitou. Não viu Dasha em lado nenhum; apenas quatro mulheres idosas, um rapaz, uma rapariga mais velha e Tatiana, que se encontrava de pé.
Ao princípio, nem acreditava que se tratasse da sua Tania. Pestanejou e tentou perceber melhor o que via. Tatiana andava a volta da mesa, gesticulando, mostrando, inclinando-se, debruçando-se. A dada altura, endireitou-se e limpou a testa. Envergava um vestido de camponesa amarelo de mangas curtas. Estava descalça e viam-se-lhe as pernas magras até acima do joelho.Tinha os braços nus ligeiramente bronzeados. O cabelo louro parecia quase branco por causa do sol e estava dividido em duas tranças que lhe chegavam aos ombros, presas atrás das orelhas. Mesmo de longe, notavam-se-lhe as sardas de Verão no nariz. Estava de uma beleza que até doía. E viva.
Fechou os olhos e voltou a abri-los. Continuava ali, debruçada sobre o trabalho do rapaz. Disse qualquer coisa, toda a gente riu em voz altae o braço dele tocou nas costas dela. Tatiana sorriu. Os dentes brancos cintilavam-lhe em harmonia como todo o corpo. Alexandre não sabia o que fazer.
Setinha @ Fuga de Leninegrado "O Cavaleiro de Bronze" - Paullina Simons

Sunday, 20 September 2009

Esperança ou Mera Inteligência Nossa?

Diz-me assim, ao de leve, se em ti posso acreditar. Se contigo posso sorrir, ficar ou até partir para onde nunca mais possamos voltar. Raiando o sol naquela praia, se, em Setembro de mil-cores podes sentir a brisa fresca que emana de dentro de mim. Brisa que deixa tonto o ser vazio, o corpo sem vida, a alma voadora que, sem querer ou até mesmo sem deixar, corre livre pelo areal.
Areia fina, grão de prata, que o sol encandeia e deixa nela nossa marca. A par e passo, luz da lua espreita por trás do fim, e por detrás de nós. Onde jamais estaremos sós. Onde jamais gritaremos: amo-te sem fim.
Por detrás do fim, no que o dia nos quiser deixar, estaremos de mãos unidas ao luar. E assim, minha bela donzela, ficamos por fim, sentados os dois e tu sorrindo para mim.
Setinha @ "O Cavaleiro da Aurora Boreal - Esperança ou Mera Inteligência Nossa? - V. Branco"

Friday, 18 September 2009

Carta à Felicidade

Um muro que caiu. Uma barreira destruída pel'aquela força que se dizia inabalável. Ping, ping ping. Gotas de chuva que caem junto a mim que ,de capa ao peito e a com a voz bem afnada, canto à desgarrada para esquecer. O mundo agitou, a terra tremeu e às brechas abertas pela força Mãe eu fui chegar.
Chagas do inferno, malditas que são. São chagas ardentes. Do meu coração.
Tão dura a jornada jamais percorrida, o Cavaleiro da Alvorada, traçou sua vida. E assim se conta história, do mais nobre Cavaleiro. Sentada ao relento, ouvindo somente o vento, canto em desalento, tudo aquilo que sinto.
Cantar por cantar, não sei com vigor. Sentir por sentir, com todo o fulgor. Não vou enganar ninguém, com minhas sedes puras, nem assim ficar, de certo, sem forças nem auras.
Ficar por ficar, não sei se quero. Na aurora brilhante, regressas enfim. Se estas aqui ou não, de novo para mim.

Setinha @ "O Cavaleiro da Aurora Boreal - Carta à Felicidade - V. Branco"


Saturday, 15 August 2009

Um mistério com quase 100 anos de história

Durante quase um século de história desde a morte da Família Imperial Russa, a 17 de Julho de 1918, que muitas perguntas têm sido feitas a respeito dos factos da fatídica noite que vitimou o Czar Nicolau II e a sua família pela mão dos bolcheviques. De entre as várias questões especuladas por todo o Mundo, a mais polémica está relacionada com a possível sobrevivência de alguns membros da Família Imperial ao atentado da Casa Ipatiev, nomeamente da Princesa Anastácia.
Tanto mediatismo à volta desta tão relevante questão fez com que inúmeras raparigas se fizessem passar pela Princesa após o atentado, sendo a mais famosa de todas Anna Anderson, que mais tarde se veio a revelar uma impustora polaca que tinha desaparecido do seu país na mesma ocasião da morte do clã russo.
Foi devido ao grande clima de instabilidade política e social que, a 2 de Março de 1917, Nicolau II abdica do trono. Nesta altura, ainda residiam na Rússia 53 membros da comitiva Romanov, 18 dos quais foram presos.
Todos estes factores aliados ao descontentamento do proletariado russo, fazem com que Nicolau II, Alexandra e os seus filhos se vejam obrigados a retirarem-se para os Montes Urais, Ekatinburgo, para a Casa Ipatiev, onde, mais tarde, viriam a falecer.
Muito se conta sobre o que realmente aconteceu na cave de Ipatiev naquela abrasadora noite de Verão. Segundo o consenso de todas as histórias até hoje já escritas, contadas e levadas de boca em boca, naquela noite, Nicolau e a sua família foram levados pelos guardas vermelhos para a cave da Casa, com a desculpa de que o exército branco tinha invadido a cidade, para pôr fim, de uma vez, ao regime vivido na Rússia até então. A execução da família real foi um verdadeiro banho de sangue. Todos os 7 membros, juntamente com um criado, um médico e uma ama foram brutalmente assassinados pelo exército de guardas vermelhos que os mantinham em cativeiro em Ekatinburgo.
Quando, anos mais tarde, as escavações pela procura dos corpos do Clã Imperial começam, nascem as primeiras especulações devido a falta de dois corpos que seriam de Anastacia, a filha mais nova do Czar e de Alexandra, e Alexei, o único filho rapaz e herdeiro ao trono da Rússia.
Contudo, devido aos avanços da tecnologia e da ciência, foi possível, graças a analises de DNA dos restos mortais encontrados, posteriormente à data da descoberta dos primeiros corpos, confirmar que, afinal, o mito da sobrevivência da Princesa Anastácia não passava mesmo disso, um mito.
Por fim, a família real foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa, que justificou o acto benemérito com o sofrimento da família.
Na nossa memória ficará para sempre tudo aquilo que foi dito e escrito sobre esta família que se viu envolvida numa conspiração que perpetuou a sua vida sem dó nem piedade e que, mais tarde, se veio tornar um exemplo de esperança e harmonia face às adversidades impostas pelo nosso destino.
A Russia nunca mais foi a mesma. A queda de Nicolau e Alexandra foi o primeiro passo para aquilo que se iria tornar num sanguinário destino para este país.
Setinha @ back from Russia

Friday, 14 August 2009

À procura das razões que governam o coração

Quando a fantasia toca as raias da realidade, um novo mundo nasce, onde tudo é possível.

Zack Riley (Aaron Eckhart) exerce psiquiatria na mesma instituição onde o pai, T.L.Pierson, célebre autor de livros infantis, esteve internado alguns anos. Famoso pelo livro "Terra Mágica", que fez a delícia de milhares de crianças em todo o mundo, Pierson foi um pai perturbado que lutou desesperadamente para vencer os seus próprios demónios.
Por isso, Jack não guarda as melhores memórias desse tempo. E, quando celebra o 25º aniversário sobre a trágica morte do autor, Maggie Paige, uma jornalista para quem o livro foi um autêntico "santo graal" na sua infância, decide investigar a sua vida e obra, iniciando uma viagem ao passado, onde o presente e o futuro acabam por diluir-se...
Assinada por Joshua Michael Stern, esta película pode ser vista e analisada à luz de um conto infantil para adultos, que nos atira para uma terra mágica, que aparentemente "nunca existiu". Pelo menos é o que Zachary, o filho "abandonado", pensa ao ver-se subjugado por uma história real da qual anseia fugir, e ao mesmo tempo, desvendar.
Na sua companhia, os espectadores são levados a acreditar na fantasia dos contos de fadas e a aceitar que o "sonho comanda a vida", como o poeta sempre disse. Ao contrário do que qualquer um de nós possa imaginar, a terra mágica existiu e existe para alguns. Ainda que violando os limites do aceitável e da crítica, mal ou bem, certo ou errado, possível ou não, nela havia paz, cor, fadas e um rei...
Com Stern e o seu elenco constituído por Ian McKellen, Jessica Lange, Aaron Eckhart, Brittany Murphy, Nick Nolte e Alan Cumming, entre outros, o sonho é a verdadeira magia da vida, e, quando alguém soonha ou om leva a sério, ele transforma-se em realidade.(...)
Afinal, tudo existe porque, um dia, alguém sonhou....


Crónica ao filme "Terra Mágica", Isabel Vieira, TVGuia Nº1593 13/08/2009


Hoje, ia em viagem com a minha familia em direcção a Vila Nova de Milfontes e reparei neste artigo numa revista que ia dentro do carro. Achei-o, de todo, muito interessante, por isso, resolvi partilhá-lo aqui hoje com vocês. Um beijinho grande.


Setinha @ Milfontes

Tuesday, 11 August 2009

Deixei de Sentir

Hoje deixei de sentir
Parei no tempo
Ele a passar por mim e eu quieta
Sem movimento ou cor
Sem alegria para sorrir

Hoje não sinto nada
Nem a dor da morte
E nem a felicidade d'um sorriso.
Deixei de sentir, por fim.

Sentada numa pedra
Olhando o vazio
Perdida e só comigo
De coração aberto
Sem batida ou reacção

Porque hoje estou aqui
Porque deixei de sentir
O tempo parou em mim
Para nao mais voltar a ser eu...

Setinha@